Seleção da Nova Zelândia ensina rúgbi a crianças de Paraisópolis
No Brasil para a disputa da etapa nacional do Circuito Mundial feminino de rúgbi sevens, a seleção da Nova Zelândia virou professora da modalidade. Nesta quarta-feira, seis atletas do time da Oceania, vencedor da Copa do Mundo de 2013, deram uma rápida aula a cerca de 90 crianças, a maioria delas oriunda da favela de Paraisópolis.
A atividade foi o lançamento do programa +Esporte +Valores, que pretende educar por meio do rúgbi alunos da Escola da Comunidade, projeto mantido pelo tradicional Colégio Visconde de Porto Seguro que concede bolsas de estudo a moradores de comunidades carentes. São 1.700 beneficiados (a maioria de Paraisópolis e Vila Andrade), dos quais 40 farão parte da primeira turma de ensino da modalidade.
“Esse programa foi uma surpresa, mas uma surpresa boa. Nos deixou muito, muito felizes. O Brasil é um lugar incrível, nós amamos vir aqui. Estamos animadas também com as Olimpíadas e por isso ficamos contentes em ver esse programa começando, é uma iniciativa muito boa”, disse a atacante Ruby Tui.
Divulgação
Atletas da Nova Zelândia deram a aula inicial do projeto de ensino de rúgbi +Esporte +Valores
O projeto +Esporte +Valores foi idealizado por Giuliano Passini, ex-jogador da Seleção Brasileira e presidente da Alma Rugby. Ele criou o instituto para transmitir a crianças o que considera os valores éticos da modalidade que pratica há 23 anos: cavalheirismo, disciplina, diversão, respeito e trabalho em equipe.
Por meio de um patrocinador, conseguiu a visita das jogadoras da seleção neozelandesa no lançamento do projeto no Colégio Porto Seguro. Na primeira fase, as aulas serão coordenadas por um professor britânico e ocorrerão no campo da tradicional instituição de ensino do Morumbi.
“O futebol é muito individualizado, tem a estrela, o cara que faz o gol. No rúgbi é todo o mundo junto. No All Blacks não tem estrela, os jogadores varrem o chão do vestiário. O melhor do mundo pega a vassoura depois do treino. São pequenas coisas que acrescentam para o dia a dia”, afirmou Passini.
Quase 90 alunos da Escola da Comunidade se inscreveram para o primeiro módulo de aulas de rúgbi, dos quais 40 serão selecionados provavelmente em um sorteio. A expectativa é que o próximo ciclo do projeto seja ainda mais popular por causa do aumento do interesse gerado pelos Jogos Olímpicos de 2016.
Foi justamente a inclusão da modalidade no programa de competições no Rio de Janeiro que motivou a criação da equipe feminina de rúgbi sevens da Nova Zelândia. Nas edições do Circuito Mundial, as neozelandesas tiveram pela frente a Seleção Brasileira, que ficou com a nona colocação da última temporada internacional.
“Na primeira vez que enfrentamos as brasileiras, elas ainda estavam pegando o jogo, mas agora estão em um nível completamente diferente. Com os Jogos Olímpicos sendo aqui no próximo ano, a motivação só aumentará e elas devem formar um dos melhores times”, analisou a neozelandesa Selica Winiata.
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