Em 2012, o Tanabi, clube que disputa oCampeonato Paulista da Série B, equivalente à Quarta Divisão do estado, surpreendeu ao anunciar a contratação do atacante Túlio Maravilha, que marcou oito dos seus 1000 gols (em sua contagem oficial) pelo Índio da Noroeste. No ano seguinte, o nome da vez foi Viola, que chegou ao clube junto com Marco Antônio Boiadeiro. Porém, nesta temporada, o clube interiorano manteve sua curiosa sina de trazer “medalhões” e fechou com o centroavante paraguaio Salvador Cabañas.
Responsável por idealizar a contratação do paraguaio, o presidente do clube, Irineu Alves apontou o motivo que o levou a correr atrás do atacante, vítima de um tiro na cabeça em 2010: “Vi uma matéria na televisão falando a respeito do Cabañas, que estava com dificuldades financeiras e trabalhando com o pai em uma padaria. Fiquei sensibilizado e toquei no assunto com meus diretores. Depois de uma conversa rápida, chamei o Alessandro (mais conhecido como “Japa”, diretor de futebol) e o convidei para ir ao Paraguai comigo. Como gosto de dirigir, peguei meu carro (uma caminhonete S-250) e seguimos viagem”, expressou o mandatário.
Contudo, engana-se quem pensa que Irineu havia feito uma logística de viagem. Sem telefone e endereço de Cabañas, o mandatário do Alviverde se aventurou em solo paraguaio com apenas uma referência: a pacata cidade de Itauguá, distante 30 quilômetros da capital Assunção, onde o atacante reside. “Eu disse ao Japa que seria fácil encontrá-lo, pois o município é pequeno. Todo mundo o conhece lá. Então, saímos de São José do Rio Preto, onde moro, no sábado de manhã e chegamos no destino por volta de meia-noite. Pernoitamos em um hotel e logo cedo seguimos em busca dele”, sintetizou.
No domingo, o presidente do Tanabi, acompanhado do diretor de futebol, passou na frente do estádio Juan Canuto Pettengil, casa do 12 de Octubre, representante da cidade no Campeonato Paraguaio. Lá, encontrou um radialista, que teve papel providencial na contratação: “Ele estava no campo, pois o clube jogaria de tarde e foi muito gentil comigo. Na base do ‘portunhol’, apresentei a nossa intenção e ele viu a seriedade da proposta. Assim, nos levou na casa do Cabañas, mas o jogador não estava, pois foi ao México resolver problemas. Neste contexto, falamos com os pais dele”, pontuou.
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Cabañas assinou o contrato em sua cidade, a pacata Itauguá-PAR (Foto: Fernando Julião/Tanabi EC)
Durante a conversa com os pais do atacante, Irineu e Japa fizeram questão de ressaltar a passagem de Túlio Maravilha, Viola e Marco Antônio Boiadeiro pelo clube: “Eles reconheceram os atletas nas fotos e viram várias reportagens sobre o nosso time. Assim, tivemos uma reposta positiva e, na sexta-feira, quando o Cabañas chegou de viagem, acertamos os valores salariais. Quando o martelo foi batido, voltamos a Itauguá, onde ele assinou o contrato e posou para a foto com nossa camiseta”, detalhou.
Feliz com a repercussão da contratação do paraguaio, o mandatário do Índio da Noroeste foi sucinto ao tratar das condições físicas do atleta: “Cabañas está bem, com uma aparência saudável e o atestado médico em ordem. Ainda não o vi jogando, mas tenho certeza de que fará sucesso. A qualidade dele é inegável”, resumiu.
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A camisa repleta de patrocínios não reflete a realidade do clube (Foto: Fernando Julião/Tanabi EC)
Quem vê Cabañas segurando uma camisa recheada de logotipos pensa que o Tanabi está bem servido de parceiros. Todavia, o panorama não é favorável. Segundo Irineu, as marcas são apenas colaboradores, que fazem o básico em prol do clube: “Não dá nem pra dizer que são patrocínios. É uma divisão pobre e sem mídia. Assim fica difícil trazer parceiros. Temos uma empresa de refrigerantes, que nos dá água e demais bebidas, outra de colchão, e assim vai. É uma troca. Ainda estou em busca de empreendedores. Quem sabe esta jogada de marketing não nos ajuda”, questionou o mandatário.
Na tarde do dia primeiro de abril, o paraguaio será apresentado oficialmente pelo clube e concederá sua entrevista inaugural como atleta do Tanabi. A data não é a mais propícia para o evento, mas os fatos elencados atestam que a aventura de Cabañas na Quarta Divisão paulista não se trata de uma “peça pregada” pelos dirigentes do Índio da Noroeste no período das mentiras.
*Especial para a GEnet
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