Caminho pela esquerda e olho em Viudez: jornalistas uruguaios dissecam o Nacional
Sem Aguirre, principal jogador do Tricolor e comparado a Suárez, repórteres apontam outros candidatos a protagonista, comentam pontos fortes e fracos do time e dão seus palpites para o duelo
Em momentos distintos, Botafogo e Nacional-URU travam o primeiro duelo das oitavas de final da Libertadores na noite desta quinta-feira, às 21h45 (de Brasília), no Parque Central, em Montevidéu. Enquanto o Alvinegro chega sem ganhar e sequer marcar gols há três jogos, os donos da casa vêm de três triunfos seguidos, balançando a rede três vezes em cada partida. Mas será que o Tricolor uruguaio estará tão mais fortalecido do que o Alvinegro? Para entender melhor a fase do adversário, o GloboEsporte.com entrevistou três jornalistas do país: Sebastián Amaya, do jornal "El Observador"; Analia Diaz, da "Radio 1010 AM"; e Rafael Castillo, da "Radio Universal".
Os repórteres analisaram o time do técnico Martín Lasarte, seus pontos fortes e fracos. Trata-se de uma equipe que assim como o Botafogo tem sua força na marcação no meio de campo e joga melhor fora do que dentro de casa. Eles apontam que o Alvinegro pode encontrar o caminho pela esquerda, onde está o lateral-direito ex-Santos Fucile, que tem dificuldades na marcação. Sem Aguirre, o lesionado goleador da equipe e comparado ao estilo de jogo do craque Luis Suárez, do Barcelona, eles apontam outros candidatos a protagonista. E um nome em comum é Viudez, uruguaio de 27 anos que joga como os volantes de Jair Ventura, de atacar e recompor. O trio prevê um duelo equilibrado e dá seus palpites. Confira:
GloboEsporte.com: Como chega o Nacional-URU para a partida? É seu melhor momento no ano?
Sebastián Amaya: Nacional chega de menos a mais, logo depois de perder o Torneio Apertura e começar o Intermédio. Nestas semanas vai estar jogando partidas decisivas. Não é seu melhor momento, mas chega bem.
Analia Diaz: Não sei se o Nacional chega em seu melhor momento do ano, mas, sim, chega em ascensão. A equipe, partida a partida, vai superando o jogo coletivo, mostrando uma ideia de jogo definida. No torneio passado, se criticavam a forma de jogar que tinha Nacional, mas no Torneio Intermédio o Tricolor tem melhorado sua produção.
Rafael Castillo: Acho que tem melhorado o rendimento, mas não vinha bem um mês atrás, quando teve o jogo contra o Lanús e perdeu aqui. Agora o treinador Lasarte colocou Liguera como armador, e o time ficou com mais possibilidades de chegar ao gol rival. Mas há um problema defensivo que os times uruguaios sempre têm: acho que Fucile quem sabe pela experiência é um bom jogador, mas na marcação não tem a presença que tinha antes. Então é um time que tem melhorado, mas há questões a resolver, pois em Libertadores é importante ter segurança defensiva.
Qual é o peso do desfalque de Aguirre?
Sebastián Amaya: Vai pesar porque é o goleador do time e estava, ele sim, em seu melhor momento. Inclusive, alguns dirigentes de Nacional acreditavam que seria convocado para a seleção. Perde seu atacante mais "apimentado".
Analia Diaz: É significativa a ausência de Rodrigo Aguirre. É um dos jogadores desequilibrantes que a equipe tem. Mostrou nos últimos jogos sua capacidade goleadora, definindo algumas partidas importantes. Além de ser um jogador potente nas duas áreas.
Rafael Castillo: Ele é o goleador nato, que tem as características uruguaias que vai em todas as bolas brigar, disputa no corpo com rivais, usa os braços... Seu substituto, Silveira, é mais um pivô. Deixa o caminho livre para que Fernández possa aparecer, Viudez também. Mas Aguirre é um atacante muito parecido com Suárez, que pega a bola e parte para cima.
Sem Aguirre, quem é o cara que pode fazer diferença?
Sebastián Amaya: Na frente, pode aparecer Viudez, um grande jogador que, se está inspirado, desequilibra. Também Fernández, que chega muito bem. Terá que ver como está Silveira. No meio de campo, há muita expectativa para Carballo de novo na Copa.
Analia Diaz: Há dois jogadores que podem fazer a diferença desde o começo. Um deles é Viudez, de muita qualidade, sobretudo para surpreender e sua capacidade no mano a mano à frente dos rivais. Se está inspirado, desequilibra. O outro é Fernández, que responde em partidas importantes e aparece definindo na área rival com frequência.
Rafael Castillo: Bom, vou dizer alguns. Tem o Conde, que é o goleiro que defende uma, duas, três... Em Libertadores é muito importante, um goleiro desses decide o jogo. Depois tem o Polenta, que é o capitão, tem presença e é adorado, como por exemplo no Brasil foi Cafu, Lúcio... E do meio de campo para frente quem pode desequilibrar é Viudez. Pode fazer a diferença, mas é um jogador que tem minutos bons, em outros desaparece. Tem que ter mais presença.
Qual é o ponto forte da equipe de Martín Lasarte?
Sebastián Amaya: É uma equipe que está há muito tempo junta e que conhece estas instâncias da Copa Libertadores pelo que fez no ano passado. Se espera que isso sirva agora. Além disso, tem três ou quatro jogadores que podem desequilibrar se estiveram em uma boa noite.
Analia Diaz: É um time que tem encontrado um equilíbrio nos últimos jogos, com seu par de camisas 5, com Carballo e Arismendi. Está consolidando um meio campo ordenado e ladrão de bolas.
Rafael Castillo: O meio de campo. Agora Lasarte seguramente vai colocar Arismendi com Romero e Carballo, eles dão uma segurança no meio de campo. Arismendi e Carballo são os que vem atuando no campeonato local e encontraram um entrosamento importante, porque Romero não estava bem. Com eles, ganharam muita mobilidade e toque de bola.
E o ponto fraco, que precisa melhorar?
Sebastián Amaya: Teve algumas desatenções defensivas que custaram caro, e às vezes em que ficou atrás no placar, teve dificuldade para reagir.
Analia Diaz: Nos últimos encontros, os laterais não tiveram um bom desempenho.
Rafael Castillo: A lateral direita. Agora justamente pode colocar Romero para dar apoio a Fucile, tendo em conta que Pimpão joga por ali. Com Romero, acho que ele vai se sentir mais cômodo, pode ser a chave da partida.
Que conhece do time do Botafogo?
Sebastián Amaya: É um time duro. Sem Montillo, não tem alguma figura conhecida por aqui, só o goleiro que é muito bom nos pênaltis.
Analia Diaz: Vi pouco na Copa Libertadores até o momento, as referências são que podem jogar melhor de visitante do que mandante. Seguramente, aí estarão as precauções que o Tricolor irá tomar.
Rafael Castillo: É um time que está em 10º no Brasileirão, que há três jogos não faz gols e vem caindo de produção. Uma equipe que não marcou em 12 dos 39 jogos, mas que quando marca faz muitos gols. Tem essa característica, não? Se ele marcar um gol primeiro, o Nacional tem que ter muito cuidado porque qualquer desespero para buscar o empate pode significar uma diferença grande, e aí vai ser muito complicado reverter.
Qual o seu palpite para o jogo?
Sebastián Amaya: Nacional se sente muito bem fora, por isso um empate não o preocuparia. Mas creio que pode ganhar a partida.
Analia Diaz: É muito difícil fazer um prognóstico. Creio que será um jogo parelho.
Rafael Castillo: Jogando como mandante, Nacional não tem tido boas atuações na Libertadores, só a vitória por 3 a 0 sobre a Chapecoense. Conseguiu resultados melhores jogando fora de casa. Se conseguir fazer 1 a 0 e não levar gols, dá para pensar que pode classificar. Creio que vai ser equilibrado, um 0 a 0, ou 1 a 0, quem sabe 1 a 1, não mais que isso.
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